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Trovadorismo

Trovadorismo

Trovadorismo

O trovadorismo como movimento literário surge em um cenário de suma importância para a transformação da língua portuguesa, ou seja, para a origem do nosso idioma, o mesmo tem inicio na baixa idade média por volta do século XI, na região de Provença, sul da frança, época essa que marcava as decantes do feudalismo e estamentos sociais. Os estamentos sociais ou sociedade estamental representava uma estrutura advinda do feudalismo, a posição do individuo na sociedade dependia da sua origem familiar, nasceu servo, morrerá servo, todo esse contexto mencionado é retrato no trovadorismo em suas cantigas, o trovadorismo perdeu forças por volta do século XIV com o aparecimento do humanismo.

CONTEXTO HISTÓRICO

O Trovadorismo, conhecido como figura poética, é aquele que versa, ou seja, é aquele que retrata em seus versos os acontecimentos cotidianos. O trovador é identificado como membro da nobreza, reconhecido como cavalheiro medieval, e por qual motivo cavalheiro medieval? Na época da Idade Média os homens eram orientados para serem cavalheiros, com esse posto defendiam seus territórios, seguindo os princípios cristãos e lealdade. Os trovadores passavam a oralizar os versos que concebia a luz do cenário histórico com suas peculiaridades presentes mostrava-se nos versos a convivência do membro da baixa nobreza com figuras da alta nobreza, nascendo a partir daí intenções amorosas, intenções essas rejeitadas pelo sistema de valores religiosos e impedimentos sociais, que não permitia que esse amor fosse possível, representando platonismo amoroso.

Esse contexto surgiu através da queda do império romano, a Europa foi totalmente invadida pelos bárbaros, as pessoas se refugiaram nos campos, e em troca de abrigo e segurança, pagavam impostos e até mesmo a perca da liberdade, os lugares ficaram conhecidos como feudos por conta dos senhores feudais que “emprestavam” pedaços de terra para os refugiados, que consequentemente se tornavam servos.

 A época da Idade Média era o retrato da Europa sobre o domínio da Igreja, ou seja, o homem era visto como secundário Deus era visto como centro do mundo, ou seja, o teocentrismo, a igreja que direcionava os valores e o comportamento da sociedade em geral, apenas aqueles que estavam diretamente ligados a igreja tinham domínio integral da educação, como ler, escrever, enquanto os camponeses viviam miseravelmente nos campos de terra.

É importante mencionar que o trovadorismo surge a partir de 4 teses, a tese arábica, a tese folclórica, a tese médio-latinista, a tese litúrgica.

Outros artigos:

TROVADORISMO EM PORTUGAL

Portugal recebia sua primeira manifestação literária com a chegada do trovadorismo, na mesma vertente se estabelecia como um país de total independência. O trovadorismo em Portugal teve sua grande manifestação nos séculos XII e XIII, e no século XIV, marcou-se seu total declínio, a presença do movimento teve sua marca mais alta na região do norte de Portugal e Galiza, cantigas cantadas em galego- português marcada pelos trovadores provençais.

A primeira obra que marcou sua presença foi no final do século XII com “Ribeirinha”, do escritor Paio Soares de Taveirós, toda essa conjuntura possibilitou a criação de novas escolas literárias portuguesas, advindo à literatura brasileira.

CARACTERÍSTICAS DO TROVADORISMO

O trovadorismo retrata essa relação social entre o amor impossível que nascia entre a alta nobreza e um simples servo, que ao mesmo tempo demonstrava compreensão e respeito, mas no fundo sofria por um amor que não podia alcançar, ou seja, a própria manifestação metafórica da relação social de ambos.

O amor no trovadorismo surge como algo idealizado, sonhado, pelo fato da hierarquia e desigualdade social que não permitia esse tão sonhado amor.

Características Clássicas:

TIPOS DE COMPOSITORES:

Trovador: Compositor, cantor e instrumentista que pertencia à nobreza pela qualidade cultural, ou seja, compunha uma categoria superior

Segrel: Fidalgo inferior ou em decadência, era compositor e cantor, geralmente andarilho e profissional, vivia desse trabalho

Jogral: Origem popular limitava-se a apresentar composições para distrair a corte

Menestrel: Origem popular limitava-se a apresentar composições nos castelos ou feudos

Soldadeira: Mulher que acompanhava os artistas dançando e tocando castanholas

TROVADORISMO CANTIGAS 

 Entre as primeiras composições, surgiram as cantigas, essa poesia que residia nos palácios, chamada de poesia palaciana, reproduziu 4 tipos de expressões: Líricas: Cantigas de amor  e cantigas de amigo, e no contexto de  satíricas: Cantigas de escárnio e cantigas de mal dizer, esse acervo de composições inicialmente eram oralizadas, e mais tarde copiladas em cancioneiros.

Cantigas de Amor: eu lírico masculino, paralelismo sintático, ou seja, versos fácies de memorizar, vassalagem amorosa, é a pretensão do amor da princesa e rainha, figura da alta nobreza, amor impossível de consolidar, representação da dor que o sentimento transmite.

“Conheço certo homem, ai formosa,
Que por vossa causa vê chegada a sua morte;
Vede quem é e lembrai-vos disso;
Eu, minha senhora.

Conheço certo homem que perto sente
De si a morte chegada certamente;
Vede quem é e tende-o em mente;
Eu, minha senhora.

Conheço certo homem, escutai isto:
Que por vós morre e vós desejais que ele parta;
Vede quem é e não vos esqueçais dele;
Eu, minha senhora.

Cantiga de Amigo: eu lírico feminino na escrita do masculino, ou seja, ele mostra o outro lado do relacionamento, o sofrimento de uma mulher por um amor chamado de amigo, a dor de um amor não correspondido, o ódio da pessoa amada, do abandono, as saudades.

Ondas do mar de Vigo,
Se vires meu namorado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Ondas do mar revolto,
Se vires meu amado!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Se vires meu amado
Por quem tenho grande temor!
Por Deus, (digam) se virá cedo!

Cantigas de Escárnio e Maldizer: Criticas diretas e com teor irônico, dando entrada as cantigas de Maldizer, com tons mais grosseiros e direitos.

Ai! Dona feia! Fostes vos queixar
Porque nunca vos louvei em meu trovar
Mas, agora quero fazer um cantar
Em que vos louvarei, todavia,
E vide como vos quero louvar:
Dona feia, velha e louca!

Ai! Dona feia! Que Deus me perdoe!
Pois vós tendes tão bom coração
Que eu vos louvarei por esta razão,
Eu vos louvarei, todavia;
E veja qual será a louvação:
Dona feia, velha e louca!

Dona feia, eu nunca vos louvei
Em meu trovar, mas muito já trovei;
Entretanto, farei agora um bom cantar
em que vos louvarei, todavia:
e vos direi como louvarei:
dona feia, velha e louca!

FONTE: CAMPEDELLI, Samira Yosef. Literatura: história & texto 1, Saraiva, 2005. P. 149-157.

Não podemos deixar de mencionar as novelas de cavalaria, em prosa, o trovadorismo marca os versos, algumas adaptadas em cinema como: A demanda do Santo Graal baseada para produzir indiana jonnes nos cinemas, Lancelot e o feitiço de Áquila

PRINCIPAIS AUTORES DO TROVADORISMO:

CURIOSIDADE

O estilo de época nunca morre, e podemos notar isso claramente na musica de DJAVAN, a memória do trovadorismo impulsionou a criação de diversas canções no romantismo e na atualidade repercussões do trovadorismo na musica Meu bem querer:

Meu Bem Querer

Djavan

Meu bem querer

É segredo, é sagrado

Está sacramentado

Em meu coração

Meu bem querer

Tem um quê de pecado

Acariciado

Pela emoção

Meu bem querer

Meu encanto

Estou sofrendo

Tanto, amor

E o que é o sofrer

Para mim que estou

Jurado pra morrer

De amor?

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