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Macunaíma de Mario de Andrade


Macunaíma é uma obra que foi publicada no ano de 1928 pelo escritor Mario Andrade, é considerado um dos principais romances da linha modernista. A obra é uma espécie de Rapsódia da formação do Brasil, ou seja, a rapsódia são características especiais ou até mesmo clássicas de um fragmento de um determinado poema, Mario de Andrade explica que levou certo tempo para aprofundar na pesquisa das lendas e mitos indígenas e folclóricos, utilizando-se uma linguagem popular e oral de varias regiões do Brasil, por isso é considerado Rapsódia.  Nesse contexto há vários elementos nacionais que vai de linha de encontro com uma narrativa de um Herói sem caráter algum.

A obra é considerada uma verdadeira renovação da linguagem literária Brasileira, além de ser uma das obras de principal renovação da cultura do país. Mario de Andrade busca retomar as visões indígenas e folclóricas da nossa grande Amazônia, o autor conta que escreveu Macunaíma em apenas 6 dias no conforto de uma chácara de Sapucaí, em Araraquara-SP, o mesmo diz que o livro não passa duma antologia do folclore brasileiro, que busca basear-se o próprio retrato do povo  do herói sem caráter.

Vamos conhecer um pouco mais dessa obra fantástica?

Estrutura da obra: Macunaíma

Macunaíma - Capa do livro (1928)
Macunaíma – Capa do livro (1928)

A obra é dividida em 11 capítulos:

  • A síntese do romance – rapsódia
  • Capítulo I – Macunaíma
  • Capítulo II – Maioridade
  • Capítulo III – Ci, Mãe do Mato
  • Capitulo IV – Boiúna Luna
  • Capítulo V – Piaimã
  • Capítulo VI – A francesa e o gigante
  • Capítulo VII – Macumba
  • Capítulo VIII – Vei, a Sol
  • Capítulo IX – Carta pras Icamiabas
  • Capítulo X – Pauí-pódole
  • XI – A velha Ceiuci

Narrador: Um livro baseado na critica literária contemporânea, busca salientar a diferença entre o autor e o narrador da historia, a diferença pode ser repensada quando o narrador só aparece no ultimo capitulo, ou seja, no epilogo, nessa parte final da narrativa, o narrador conta que toda historia foi transmitida, contada por um papagaio, isso mesmo, o narrador conta que o papagaio escutou toda historia do próprio Macunaíma, a ave então transmitiu todos os fatos para um homem, e voou para Lisboa: “E o homem sou eu, minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história”. Nessa parte é nítida a aproximação do autor, ou seja, Mario Andrade.

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Tempo e Espaço: O tempo e o espaço na própria obra não estão devidamente definidos, ou seja, trata-se de uma narrativa mística, a base é a realidade. É bacana salientar que o espaço que pode ser considerado no livro é o geográfico brasileiro, com pequenas menções do exterior, o tempo cronológico é indefinido em toda obra.

Principais personagens de Macunaíma

Macunaíma: O personagem é considerado como principal na obra escrita, o mesmo retrata adjetivos bastante interessantes, como: Individualista, preguiçoso, vaidoso, mentiroso, e não se preocupa com quase ninguém a sua volta, ou seja, só pensa nele mesmo, e não vive sem os prazeres carnais. É um verdadeiro Herói sem caráter, é a própria representação da formação do Brasil, suas escolhas durante a narrativa proporcionam muitas surpresas. O mesmo com característica indígenas e negro se banha na poça do pé do gigante sumé, e se transforma em europeu de cabelos loiros e pele branca.

Jiguê: É irmão do meio, todas as mulheres a qual se interessava se relacionavam com seu irmão Macunaíma, um homem com características de grande estrutura, forte, e com perfil de valentia, batia nas mulheres quando descobria das traições, raramente batia em seu irmão.  Jiguê também tentou se lavar na tal água mágica, mas como a água estava pouca, sua pele se transformou em cor de cobre.

Maanape: Na obra é representado como irmão mais velho de Macunaíma, era considerado feiticeiro, muito inteligente, passa quase toda narrativa cuidando do seu irmão, é um representante do povo negro. Manaape também tenta se banhar nas águas de Sumé, mas sobrou apenas um pouco de água, ficando com a palma dos pés e das mãos brancas

Venceslau Pietro Pietra: Personagem esse que vive em São Paulo, fazendeiro peruano abastado, o mesmo tem algo que o Macunaíma deseja recuperar, muraiquitã. É um gigante Piaimã comedor de gente.

Ceiuci: É a mulher do Gigante, também comedora de gente.

Ci: É mãe do mato, único e verdadeiro amor de Macunaíma, durante o relacionamento engravidou do personagem, infelizmente a criança não sobreviveu, Ci de tanto desgosto acaba virando estrela no céu. Foi à mesma que deu o tão precioso muraiquitã para Macunaíma.

Vei: Na obra tem duas filhas e deseja que Macunaíma casasse-se com uma delas.

Resumo da Obra

A narrativa começa dando enfoque no personagem Macunaíma, o mesmo nasceu nas margens da água do Uraricoera na Floresta Amazônica, já nesse momento da obra o escritor realça sua principal característica, a preguiça, além da preguiça, possuía fortes traços de uma criança birrenta e mandona.

Macunaíma passa toda sua infância sendo criando em uma tribo amazônica, com o seu forte desejo de se tornar adulto, Macunaíma toma um banho de mandioca brava, a mesma teve o poder de o transformá-lo em um homem já adulto, durante algum tempo, conhece Ci, mulher essa que se apaixonou perdidamente, com essa paixão, Ci acaba engravidando de Macunaíma, infelizmente a criança veio a morrer logo após o nascimento, com tanto desgosto da perda, a mulher acaba virando uma estrela, deixando com Macunaíma uma única lembrança, uma espécie de amuleto, chamado de muiraquitã.

É através desse amuleto que a historia começa a criar movimento e ação, Macunaíma amava essa lembrança, mas infelizmente a perdeu durante o caminho, e descobre que muiraquitã estava em posse de Venceslau Pietro Pietra, em SP, o famoso gigante comedor de gente.

Macunaíma desiludido decide viajar para são Paulo e recuperar o amuleto tão precioso, na viagem estavam com ele seus dois irmãos, durante o caminho ocorreram vários e vários imprevistos, até que finalmente Macunaíma consegue recuperar muiraquitã, só que a felicidade durou pouco, o personagem perde o amuleto novamente, com o grande desgosto, Macunaíma também sobe os céus e vira uma estrela.

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Analise da obra

O Brilhante escritor Mario Andrade durante seus pensamentos e escritas queria produzir uma obra que de fato representasse o Brasil, representação essa em unidade, essa unidade são as múltiplas características existentes de nacionalidade, criando um cenário próprio para a cultura brasileira.

O seu grande conhecimento para toda criação da obra foi através de inúmeras pesquisas realizadas acerca do folclore nacional e embasamento na produção literária modernista, para assim haver as primeiras escritas de Macunaíma.

Macunaíma é considerado uma verdadeira Rapsódia, ou seja, uma grande junção das lendas, mitos, hábitos, comidas, tradições fauna, flora Brasileira, falares, enfim, a grande inteligência do escritor foi juntar todas essas características em uma obra de narrativa coesa.

É importante salientar que mesmo usando de características modernistas em sua obra, Mario foge de algumas particularidades do movimento literário, o espaço não adentra muito no que chamamos de verossimilhança dos romances até então realistas, ou seja, o espaço na obra não é medido pela distancia, e sim pelas características dos personagens, como mostra um trecho do livro, Macunaíma em uma fuga estava presente em Manaus e depois de alguns parágrafos o mesmo já estava na Argentina.

A verossimilhança é de caráter surrealista, essa característica pode ser vista quando os irmãos se banham em uma água que tem o poder de embranquece, o momento revela o significado do símbolo das três etnias que teve responsabilidade na formação do Brasil: O Branco, branco esse advindo da Europa, o negro, advindo como escravo da África, e o por ultimo o Índio Nativo. Nessa representação podemos notar fatos importantes nos três irmãos, Macunaíma é o primeiro se banhar, tornando-se loiro, o segundo irmão fica com cor de bronze, já o terceiro embraquece só as palmas das mãos e pés, representação do negro.

O Romance é uma colagem de elementos que possibilita a exposição da cultura nacional, com a mistura de lendas indígenas, linguagens de misturas de termos, como regionais e até mesmo estrangeirismos, todas essas características foram realizadas para estarem mais próximas da formação da cultura brasileira.

Macunaíma pode ser considerado uma obra de grande complexidade, o objetivo principal é revelar uma criação de uma cultura nacional, e transmitir os desafios de um povo que devagar começa a se identificar como nação, nação essa grande de território e com inúmeras influencias de caráter externo, e não apenas isso, o livro é a demonstração do caráter brasileiro diante das características da primeira fase modernista, uma percepção possível é que o povo Brasileiro não tem um caráter definido, ou seja, o Brasil é um país grande no corpo de Macunaíma.

O Filme Macunaíma

O Filme Macunaíma

Macunaíma não permaneceu apenas nos livros, a obra foi adaptada no cinema em 1969 dirigida por Joaquim Pedro de Andrade, o filme é considerado como pioneiro do então movimento do Cinema Novo, o filme é uma verdadeira essência da obra escrita por Mario Andrade.