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Ideologia de gênero


A ideologia de gênero tem sido motivo de intensos debates no atual cenário político-social do mundo. Principalmente aqui no Brasil, o assunto entra em pauta diversas vezes, causando frisson e alteração de ânimos por onde quer que passe.

Mas afinal, o que é ideologia de gênero? Confira na matéria a seguir.

Significado de ideologia de gênero

Ideologia de gênero refere-se ao conceito de que não existe o gênero masculino ou feminino. Segundo os entusiastas do conceito, o sexo é muito mais amplo do que os termos que definem essa individualidade.

Nessa definição, ideologia de gênero defende a ideia de que a história politico cultural desenvolveu o conceito de masculino e feminino no nascimento da criança, e que na verdade, ambas nascem iguais. Para os defensores da ideologia de gênero, as nomenclaturas pré-definidas para ambos os sexos são imposições da sociedade.

Isso significa, em palavras simples de entender, que o sexo biológico, segundo a ideologia de gênero, não define a identidade de cada pessoa. Apenas as atitudes, personalidades e decisões é que realmente definem se o individuo é homem ou mulher.

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Conceito de ideologia de gênero

Ao nascer, o gênero da criança representa a identidade biológica dela. Se um menino nasceu, presume-se que ele possui o pênis – órgão que o identifica. A menina já é identificada pela vagina.

Porém, segundo a ideologia de gênero, independente da sexualidade biológica da criança, aquele individuo ainda não pode ser identificado como masculino ou feminino. A maneira como ele vai se reconhecer, quando atingir maturidade para tal, é que define se a pessoa é homem ou mulher.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), a identidade de gênero é a maneira como um indivíduo se reconhece, como ele percebe sua própria identidade.

Portanto, a ideologia de gênero prega que a construção que a sociedade fez em cima do conceito que distingue o homem da mulher não precisa necessariamente estar atribuído ao sexo biológico da pessoa.

Polêmicas em torno da identidade de gênero

Muitas polêmicas foram observadas em torno das discussões sobre a ideologia de gênero. Aqui no Brasil, as discussões foram acirradas em 2014, quando ocorreu a estruturação do Plano Nacional de Educação (PNE).

Nessa proposta, o Ministério da Educação propôs incluir temas sobre o assunto em escolas por todo o país. O objetivo era orientar e esclarecer assuntos como identidade de gênero e sexualidade para crianças em idade escolar.

A polêmica girava em torno do fato de que doutrinar uma criança a respeito de sua sexualidade não condiz com preceitos religiosos e éticos. Os críticos da ideia insistiam em debater que a proposta não deixava escolha para os pais de ensinarem sob a sua visão o assunto aos seus filhos, desconstruindo os pilares familiares tradicionais amplamente aceitos no país.

Já os adeptos da ideologia de gênero afirmavam que o motivo pelo qual era tão oportuna a pauta nas escolas era devido à conscientização das crianças de que existem diferentes tipos de sexualidade. Com o esclarecimento, os defensores alegavam que o preconceito diminuiria e seriam promovidos pilares desde a infância sobre respeito pelas diferenças e igualdade de gênero.

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Origem do conceito de ideologia de gênero

Nos séculos XIX e XX, os conceitos de ideologia de gênero foram pregados por Marx, Engels e Morgan, precursores dos ideais difundidos pelas iniciativas do MEC.

Em primeira instancia, o conceito de ideologia de gênero visa destituir os cargos impostos pelo patriarcado e desestrutura a ideia existente de família e sua composição.

Já em 1968, Robert Stoller defendeu o direito de eximir os termos que definem a crianças por nascer, alegando que feminino e masculino são títulos que impedem que a criança cresça com sua própria ideologia de gênero. Segundo ele, essa informação pré-concebida prejudica o direito de cada individuo definir o que realmente sente e o que realmente é, independente do sexo biológico.

Em 1975, o termo voltou a ser pauta de discussões dessa vez com as feministas Simone de Beauvoir e Elisabeth Clarke. Como sufragistas, as duas apoiavam o direito de se manifestar sobre o feminismo ideológico e o aparecimento de um novo sexo atraiu a atenção do publico sobre o assunto.

Em 1999 começou o atual momento da ideologia de gênero. Desde então, os defensores da ideia pregam uma nova agenda curricular nas escolas. Nesse novo conceito educacional, os professores, coordenadores e diretores das escolas seriam proibidos de caracterizar crianças segundo seu sexo biológico.

Segundo eles, essa tendência só faz crescer o bullying e a pressão de que o individuo tenha que se anular para viver de um jeito que agrada a sociedade, só para não ser diferente. Contudo, essa visão torna o individuo, desde muito novo, um ser sem identidade definida.  Alguém que precisa em determinado momento da vida decidir o que quer ser.

O que pode ser relevante sobre gênero

Embora o conceito em si seja uma destituição do preceito familiar, algumas coisas são importantes e devem ser ensinadas para crianças desde pequenas. Essa é uma discussão que deve permanecer no seio familiar, onde cada pai e mãe inculcam a educação e respeito em seu filho desde muito novo, com observações tais como:

  • Ninguém deve sofrer discriminação, independente se é menina ou menino;
  • Ninguém deve sofrer discriminação, independente de raça, religião ou classe social;
  • Meninos e meninas têm o mesmo direito de brincarem juntos na quadra, escola ou em qualquer ambiente;
  • Todas as crianças precisam aprender tarefas domesticas, em um ambiente onde todos necessitam de cuidados. Independente se é menino ou menina, ambos podem ajudar nas tarefas simples do dia a dia.
  • Meninos e meninas têm o direito de chorar ou expressar seus sentimentos sem serem ridicularizados;
  • Tanto meninos quanto meninas podem dar suas opiniões referentes a qualquer coisa que se achem no direito.
  • Cada criança deve aprender a não deixar de maneira alguma que alguém as toque sem autorização. O corpo de cada criança é apenas seu, não deve ser violado por qualquer espécie de ser humano.
  • A criança não deve representar comportamentos machistas, pois isso pode restringir a liberdade do seu próximo.
  • O machismo é ruim para as meninas e para os meninos também, pois restringe a liberdade e o potencial das pessoas.