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LYDIA FAGUNDES TELLES


No auge dos seus 96 anos de vida, Lydia Fagundes Telles pode ser considerada a maior escritora modernista brasileira viva, ou melhor, uma verdadeira dama da literatura brasileira, seus livros foram e continuam sendo um grande marco em toda trajetória literária já vista. Vamos conhecer um pouquinho mais dessa brilhante escritora?

LYDIA FAGUNDES TELLES

TRAJETÓRIA DE VIDA

A escritora Lydia Fagundes nasceu em SP, em 1923, exatamente no centro da capital paulista, em 1931, a mesma começa a produzir suas primeiras obras literárias, ou seja, já na sua infância, com apenas 8 anos de idade começou a despertar ali a paixão pelos contos, pela magia de contar historias.

O pai, Durval de Azevedo Fagundes, advogado na época e a mãe Maria do Rosário, grande pianista, foram de suma importância na trajetória literária da escritora, foi com o pai que Lydia aprendeu o sentido do jogo, e com ele aprendeu que os livros também podem ser uma grande espécie de jogada, a produção literária pode ser vista como aposta, apostas em historias com conteúdos e qualidade, sem esquecer-se do leitor, que é uma grande peça do jogo, ou seja, os mesmos que tomam decisões e fazem criticas necessárias de acordo com as historias lidas.

Em 1938, Lydia publicou seu primeiro livro, livro de contos, em 1940 ingressa na faculdade de direito do Largo São Francisco de SP, e posteriormente como estudante do pré jurídico embarcou no curso de Escola Superior de Educação Física, ou seja, Lydia passeou por diversas vertentes durante a sua vida. Ainda na faculdade, Lydia passa a frequentar as rodas literárias que despertou ainda mais sua paixão pelos livros, pouco tempo depois, ingressou na academia de letras, colaborando com textos no jornal literário.

Lydia durante sua vida escreveu grandes obras importantes, como Praia viva, em 1944, cacto vermelho de 1949, o mesmo recebeu um grande premio na academia Brasileira de Letras, essas obras não são mais encontradas, Lydia considera que as mesmas foram criadas em tempos juvenis, a mesma diz: ““ a pouca idade não justifica o nascimento de textos prematuros, que deveriam continuar no limbo”.

Em sua trajetória de vida, Lydia casou-se apenas uma vez, em 1950, em 1954, nasce seu único filho. O filho é a paixão de Lydia, foi nele que encontrou suas principais inspirações literárias, o mesmo a ajudou nas criticas dos seus textos.

Lydia além de ter dedicado sua vida a literatura, também fez parte como Procuradora do Instituto de Previdência do Estado de SP, cargo esse que ficou até sair sua aposentadoria formalmente, e também se tornou presidente da Cinemateca, e por fim é membro da Academia Paulista de Letras, ufa, muita coisa não?

OBRAS DE LYDIA FAGUNDES

Lydia publicou diversos livros de criticas aclamadas, em 1954, publicou seu primeiro romance, Ciranda de Pedra, marcando o inicio literário maduro, através dos críticos, Lydia se torna uma grande escritora consagrada.

Em 1963, já separada do seu primeiro marido, Lydia passa a morar com Paulo Emilio Salles Gomes, um grande militante político brasileiro e critico de cinema, foi fundador da Cinemateca Brasileira, no mesmo ano, Lydia publicou Verão no aquário, e juntamente com seu marido Paulo, escreveu o roteiro de cinema Capitu (1967) baseada em Dom Casmurro.

Outras obras de suma importância:

  • 1970 publicou o livro antes do baile verde
  • A menina, de 1973, livro esse que foi de grande marco para sua carreira, por sua vez recebeu diversos prêmios, alguns anos, sua obra foi transformada em filme, em 1995.
  • 1977 seminário dos ratos, no mesmo ano Paulo Emilio veio a falecer e Lydia assume a presidência da Cinemateca, até 1980, ou seja, por apenas 3 anos.
  • 1978 teve sua obra adaptada pela TV globo, Ciranda de Pedra
  • A disciplina do Amor, 1980, obra essa que trouxe ficção e memórias
  • As horas nuas, outro romance da escritora, publicado em 1989
  • Os textos curtos e surpreendentes tomaram nuances em 1995, com a obra A noite escura e Mais eu, Memória, de 2000, Durante aquele estranho chá, 2002 e Conspiração das Nuvens, 2007.

Suas obras estão presentes por todo mundo, como Portugal, Alemanha, Holanda, Itália, entre outros, terminamos aqui com uma fala sobre a criação literária dita por Lydia:

“A criação literária? O escritor pode ser louco, mas não enlouquece o leitor, ao contrário, pode até desviá-lo da loucura. O escritor pode ser corrompido, mas não corrompe. Pode ser solitário e triste e ainda assim vai alimentar o sonho daquele que está na solidão”.  

Outros artigos:

FRASES MARCANTES DE LYDIA FAGUNDES

Quando na realidade o amor é uma coisa tão simples… Veja-o como uma flor que nasce e morre em seguida por que tem que morrer. Nada de querer guardar a flor dentro de um livro, não existe nada mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou.”

“Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa.”

“Já que é preciso aceitar a vida, que seja então corajosamente.”

“Descobri outro dia que a gente só se mata por causa dos outros, para fazer efeito, dar reação, compreende? Se não houvesse ninguém em volta para sentir piedade, remorso e etc. e tal, a gente não se matava nunca. Então descobri um jeito ótimo, me matar e continuar vivendo. Largo meus sapatos e minha roupa na beira do rio mando cartas e desapareço.”

“A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida.”


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